Como conversar com as crianças sobre eleições
Época de eleição no Brasil é impossível de ignorar. Tem jingle de campanha no rádio, santinho na calçada, número de candidato colado no carro, debate na TV e muita opinião forte no almoço de domingo. As crianças percebem tudo isso e, mais cedo ou mais tarde, as perguntas chegam: “Mãe, em quem você vai votar? Por que todo mundo está tão bravo? E se ganhar o candidato ‘errado’?” Essas perguntas são uma ótima oportunidade. Você não precisa ser especialista em política para ter essas conversas. Basta um pouco de paciência, honestidade e disposição para dizer: “Que boa pergunta! Vamos descobrir juntos?”

Comece pelo que elas já conhecem
As crianças vivem “eleições” muito antes de entender de política. Elas votam na brincadeira do recreio, no filme da sexta à noite ou no nome do bichinho da turma. Comece por aí.
Pergunte: “Quando a sua turma escolheu o representante de sala, como vocês decidiram? O que fazia alguém ser uma boa escolha?” A partir desse terreno conhecido, explique que os adultos fazem algo parecido para escolher as pessoas que tomam decisões pela cidade, pelo estado e pelo país inteiro.
Adapte a conversa à idade
Os pequenos (3 a 6 anos) precisam da versão mais simples: “De tempos em tempos, os adultos escolhem quem vai cuidar da cidade e do país, mais ou menos como escolher o capitão do time. Todo mundo pode escolher, e quem recebe mais votos fica com o trabalho.” Seja breve e concreta. Se perguntarem sobre algo que viram na TV, responda com calma e em poucas palavras.
As crianças em idade escolar (7 a 11 anos) já estão prontas para mais. Explique os cargos, como prefeito, vereador, governador, deputado, senador e presidente, e o que cada um faz. Ligue isso à vida delas: a prefeitura cuida da praça perto de casa e do ônibus que elas pegam, enquanto o governo federal cuida de questões que afetam o país inteiro. Elas costumam adorar saber que no Brasil a gente vota na urna eletrônica e que o resultado sai rapidinho, na mesma noite.
Os adolescentes (12 a 17 anos) dão conta de discussões de verdade sobre temas, propostas e como avaliar informações. E lembre-se: no Brasil, é possível votar a partir dos 16 anos. Converse sobre tirar o título de eleitor, como é votar na prática e por que isso importa, mesmo quando o voto ainda é facultativo para eles.
Fale de valores, não só de candidatos
É natural que as crianças perguntem em quem você vai votar. Contar ou não é uma escolha sua. Algumas famílias falam abertamente sobre isso; outras preferem manter o voto em segredo e explicar que ele é secreto por um bom motivo.
De qualquer forma, o mais valioso que você pode transmitir é como você decide. Fale sobre o que importa para você: boas escolas, ruas seguras, saúde, meio ambiente, honestidade na vida pública. Explique que você olha as propostas, o que os candidatos já fizeram e se costumam cumprir o que prometem. Assim, a criança aprende a pensar, e não só a herdar uma resposta.
Mostre como discordar com respeito
As crianças aprendem mais com o que fazemos do que com o que dizemos. Se ouvem adultos chamando quem vota diferente de “burro” ou de “gente ruim”, aprendem que discordar é o mesmo que ser inimigo.
Tente mostrar que dá para se amar e votar diferente. Se o vovô e a tia Carla pensam de jeitos opostos: “Eles têm ideias diferentes sobre o que é melhor para o país, e isso é normal numa democracia. A gente continua amando os dois.” E se a conversa esquentar, tudo bem dizer depois: “A gente se exaltou ali. Acontece. É importante ouvir mesmo quando não concordamos.”
Acolha preocupações e medos com honestidade
Eleições podem deixar o clima tenso, e as crianças captam a ansiedade dos adultos. Se o seu filho parecer preocupado, com brigas, com o que vai mudar ou com algo assustador que ouviu, leve isso a sério.
Tranquilize: a rotina, a casa e a família vão continuar iguais, não importa quem ganhe. Explique que, numa democracia, os governantes têm limites, existem regras que todos precisam seguir e daqui a alguns anos haverá outra eleição. Se ouvirem falar de violência ou conflito, explique de forma calma e objetiva, e lembre que os adultos ao redor estão ali para mantê-los seguros.
Leve as crianças junto para votar
Uma das formas mais marcantes de ensinar sobre eleições é levar os filhos com você no dia da votação. No Brasil, em geral, as crianças podem acompanhar o pai ou a mãe até a seção eleitoral. Deixe que vejam a fila, os mesários e a urna. Depois, conversem sobre como foi.
Em casa, organize uma “eleição da família” para algo divertido, como o cardápio do fim de semana ou o próximo passeio. Cada um defende a sua opção, todos votam em segredo e vocês contam os votos juntos, inclusive aprendendo que às vezes a gente perde e precisa aceitar o resultado com elegância.
Depois do resultado
Ganhe ou perca o seu candidato, os dias depois da eleição também ensinam. Mostre como comemorar sem humilhar ninguém e como ficar decepcionada sem perder a esperança: “Estou triste porque o meu candidato não ganhou, mas é assim que a democracia funciona. Agora vou continuar acompanhando o que os novos governantes fazem, e na próxima eleição eu voto de novo.”
Essa mensagem, de que a cidadania não termina no dia da votação, talvez seja a mais importante de todas.
Os eleitores de amanhã
Você não precisa ter todas as respostas. O que importa é criar um espaço onde os seus filhos se sintam seguros para perguntar, onde as diferenças são respeitadas e onde a democracia aparece como algo de que eles fazem parte, e não algo que acontece lá longe. As crianças que hoje perguntam “em quem você vai votar?” são os eleitores de amanhã. Cada conversa agora ajuda a prepará-las para esse dia.
Para a conversa sobre eleições
- Comece pelas votações que a criança já conhece (recreio, filme, representante de sala).
- Ajuste a explicação à idade: simples para os pequenos, cargos para os maiores, propostas para os adolescentes.
- Explique como você decide, não só em quem vota.
- Mostre que dá para amar quem vota diferente.
- Pratique perguntas para checar notícias e mensagens de WhatsApp.
- Tranquilize: a rotina e a família continuam iguais.
- Leve a criança para votar ou faça uma “eleição da família”.
- Depois do resultado, comemore ou lamente com respeito.
Este é um relato com ideias práticas para famílias, sem posicionamento político-partidário. Para informações oficiais sobre o processo eleitoral, consulte os canais do TSE.
Continue explorando
Ferramentas e conteúdos grátis para o dia a dia com as crianças.
Posts relacionados
Outras leituras sobre os mesmos temas.
Receba atividades novas toda semana.
Sem spam. Só ideias boas para você e seu pequeno.





